quinta-feira, janeiro 26, 2006

Cooltura




QUERO! QUERO! QUERO! QUERO! QUERO! QUERO! QUERO!


LER António Lobo Antunes e Miguel Esteves Cardoso.


OUVIR o cd de Tiga.

IR ao Planetário, ao Palácio da Pena, ao Castelo dos Mouros e à Quinta da Regaleira.

VER a exposição da Frida Kahlo no CCB, O Segredo de Brokeback Mountain no cinema, a
Ópera do Malandro de Chico Buarque no Coliseu, Todos os que caem de Samuel Beckett no Teatro da Comuna.

FAZER road trips até às Caldas e ao Alto Alentejo.

COMER outra vez na Tasca do Saskia em Odeceixe.

DORMIR numa tenda outra vez... que saudades de acampar!

CONHECER a noite do Porto.


...Who wanna join me?
Mocca Chocca



ps1 - Vale a pena espreitar o resto da colecção deste fotógrafo. Espreitem!

ps2- para todos os que estão em frequências, exames e testes lembrem-se que "Em épocas de crise, a imaginação conta mais que o conhecimento". Não sei porquê mas os maus alunos recorrem sempre às frases do Einstein!

terça-feira, janeiro 24, 2006

O maior braço de ferro que a humanidade jamais viveu!


Começou por ser um simples "oi", como que um "olá estou aqui, vamos conversar, discutir a vida, o mundo, as pessoas que o habitam... amores, desamores, ideias, ilusões, desilusões, sentimentos, cores, sabores, vivências e merdas que tais"... a resposta foi um singelo "io"... uma "minikice", uma pequena e isolada sílaba, um doce desvario... um pequeno nada... insisti no "oi" pois afinal de contas queria conversar... o segundo "io" no meu ecrã. algo de errado se passava... talvez não... insisti com o terceiro "oi"... sem hesitação levei com outro "io" nas trombas! o meu cérebro como que atingido por um raio questionou-se algo assustado, um pouco aturdido... porque não um pouco excitado pelo que se estava a passar... pelo que se poderia perspectivar! o que se seguiu foi talvez a maior batalha mental de todos os tempos! sim maior que a que newton travou com a gravidade ou einstein com a física! encostou kasparov e o seu deep blue a um canto com apenas um sopro! o que se seguiu meus amigos... um diluvio de sentimentos! foi vida! emocionei-me, chorei, sorri... senti-me a perder, depois a ganhar, depois assustado, depois temível!!!... sim a fome continuava em áfrica! sim as monções invadiam as índias!! sim os californianos continuavam a proliferar nos ginásios... sim as barracas caíam na amadora... sim a minha avó Georgina continuava a metralhar 50 "ai´s"/segundo, como tem feito desde que veio da sua operação ao braço, chegando a dizer "Deus diz que é bom e fez-me este trabalho". mas sim... o mundo girava enquanto de dois ecrãs, no Barreiro e em Rio de Mouro, eram debitados "oi´s" e "io´s" pelos dedos de duas pessoas, dois jovens...um homem e uma mulher... que por breves momentos decidiam, não o destino do mundo... mas sim o destino de uma estupida conversa!(?) após variações de velocidade, tentativas de trapassas, pressões psicológicas... um "po"!!! sim meus caros... um dedo ao lado ditou a derrota de uma vida... para a vencedora os espólios... para o vencido reduzido a uma carcaça... um destino de humilhação permanente...

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HHHHHHHHHHHHHHHHH

Sonho de um dia de eleições


O sol brilhava bem alto num céu azul desprovido de nuvens, a cidade vivia um lânguido despertar e parecia esperguiçar-se desde La Boca até Villa Devoto. Eu caminhava paulatinamente pela Avenida de Mayo entretido a captar as fragrâncias daquela bela manhã outunal de Domingo.
As ruas estavam vazias e apenas dois quiosques se encontravam abertos...de relance li as gordas de um ou dois jornais que não acrescentavam nada á actualidade. A brisa fresa do Rio La Plata, que trazia consigo um leve travo a maresia, fez-me puxar o fecho do casaco até cima e pouco tempo depois não resisti a entrar num café para me reconfortar com um chá de mate. Pela janela via o estranho bailado das folhas secas provocado pela Sudestada que fazia do Verão uma parca lembrança.
Continuei a caminhar por San Telmo e Puerto Madero até chegar á Recoleta onde me deitei no relvado a olhar para o céu enquanto escutava os acordes de "Al Mundo Le Falta um Tornillo" do imortal Gardel tocados por um artista de rua. Centenas de pessoas andavam por ali...namorando, dançando, conversando, discutindo...num carrocel vibrante que tornava a cidade ainda mais bela.
"O Boca joga hoje" pensei eu e isso era motivo mais que suficiente para ir beber uma Quilmes bem gelada com os velhos estivadores do porto ao Caminito Del Tango. Por entre desejos de que o Palermo marcasse dois e que o Pato Abbondazieri defendesse uns quantos penaltis brindei á saúde do pessoal e segui em direcção a casa pelo sumptuoso, organizado e charmoso Bairro de Palermo dos palácios e dos jardins.
Quando entrei na Calle Bartolome Mitre ouvi o som do meu disco preferido de Piazzola a ecoar pela minha janela, que bom...o disco que tinha posto a tocar quando saí ainda não tinha acabado. Entrei em casa e dirigi-me ao quarto, a Gabriela ainda dormia na cama alva e pura que em nada reflectia o que se tinha ali passado durante a noite...

- "Fuser!! Fuser!! Acorda pá..."
Toda aquela gritaria me fez lembrar que estava a tomar um café no Linha D'Água numa tarde cinzenta de Inverno em plena Lisboa, á minha frente a enorme bandeira portuguesa, que a olho parece maior que a minha casa, encontrava-se defraldada ao vento em toda a sua pujança...
- "Já saíram os resultados das eleições...o Cavaco ganhou á primeira volta!!"
Soltei um "eish!" e olhei para uns quantos jovens com cabelo esquisito que formavam uma rodinha á volta do mastro da monumental bandeira, de mãos dadas e aos saltinhos iam cantando: "Paz, Pão, Povo e Liberdade" e "Cavaco á primeira"...abanei a cabeça negativamente e pensei para mim mesmo em silêncio: "Foda-se...é desta que emigro!!"

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Provocavacação


Há pelo menos duas Marias felizes. A dele e a Augusta, a minha avó.

Mocca Chocca

sexta-feira, janeiro 20, 2006

L'amour sauvage



Inesperadamente, estou encostado à parede da Procuradoria-Geral da República.
Não sei como fui lá parar, o que faço ou o que espero. Passam carros, autocarros, fragonetes, pessoas a pé e a cavalo, meros transeuntes, numa rua que parece ter sido feita apenas para percorrer em passo acelerado. Chiça, que calor. A manhã encontra-se possuída por um sol abrasador. Dispo o casaco e a camisola. e que raio faço eu aqui imobilizado? Pensar é inútil...
Sei que passado algum tempo já estou sentado, no chão, ao lado dos eternos contestatários…quando sinto já o corpo a amolecer e a alma desfalecida, a derreter-se por entre as pedras da calçada, uma visão atravessa-me a espinal-medula. Uma mulher, que não faço a mínima ideia como descrever, vem ao fundo da rua. Parece-me ser elegante e extravagante, deve ser bailarina de uma qualquer companhia de dança de renome internacional. Nos tempos livres pinta retratos joviais, escreve poesia e dorme, dorme muito. É assim que me parece à primeira vista.
Levanto-me e tremo de ansiedade. A mulher aproxima-se, aproxima-se como que voando. E eu tremo. Quando está apenas a sete ou oito narizes de distância atiro-me a ela, como um leão em plena savana a caçar uma frágil gazela. Agarro-a pelo braço e encosto-a à parede da Procuradoria-Geral da República Tens pinta miúda digo em tom grosseiro o teu rabo é um regalo à vista acrescento comparável apenas à genial nona sinfonia de Beethoven!
Largue-me sua besta quadrada, não vê que me está a aleijar!! Os teus lábios são como água no deserto: raros e apetecíveis!
Socorro!! Tirem-me das mãos deste doido!
e eu insisto os teus cabelos são esplendorosos...mas não consigo acabar a frase. Os até então impávidos e serenos contestatários lançam-se sobre mim e batem-me, arranham-me, beliscam-me. Expulsam os sentimentos frustrados, a sua revolta, o silêncio que ao longo dos anos mantiveram religiosamente à entrada do edifício moribundo. Tudo isto sobre mim. No chão, sem hipótese de fuga, levo porrada sem nada sentir. Apenas sinto uma dor, bem cá no fundo, ao ver a mulher arrancar pela rua fora e a escapar-se, para sempre, pela Rua do Salitre…era, sem margem para dúvidas, a mulher da minha vida!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

Não é namoro … (?)


Acarinho e galanteias; cativo ao sussurrar que gosto; fazemos mesmo que não o pretendamos ... namoramos!

(Porra, mas qual namoro, para quê complicar?! Namorar não, é só um ‘curtes’ … não é namoro!)

A pele atrai, o sorriso seduz; desejo muito o toque e desejas muito tocar-me; cobiças o beijo e olho-te com enlevonamoramos!

(Ai que mania … não nos vamos iludir, tenho medo de te magoar! Namorar não, é só um ‘curtes’… não é namoro!)

Afeiçoas-te à minha vaidade; apaixono-me pelos teus vícios; fazemos mesmo que não o inspiremosnamoramos!

(Merda…lá estou eu! Namorar não, é só um ‘curtes’ … não é namoro!)



Espera! Mas se

Curtir = v. tr. (fig.) calejar; acostumar, suportar; sofrer, aguentar; maltratar.

e se

Namorar = v. tr. Galantear; cativar; pretender o amor de; andar de namoro com; (fig.) atrair, seduzir; desejar muito, cobiçar; olhar com enlevo; v. int. afeiçoar-se; apaixonar-se; inspirar amor a; ter namoro

então,

somos masoquistas ou … namoramos?





PS: Os parêntesis não são envergonhados. Uso e abuso porque gosto! (tinha de me explicar…)

PS2: Sim, prometo que vou parar com temaslamechas e tentar abordar assuntos relevantes como a estratégia de marketing do Pingo Doce – vantagens e desvantagens para os mercados real e/ou potencial do Minipreço.

PS3: os PS’s não são envergonhados. Uso e abuso porque quero! (tinha de me antecipar.)


Agradecimentos: Mocca Chocca pela imprescindível colaboração dialógica, Metropolitano de Lisboa pelo espaço de debate e Dicionário UNIVERSAL de Língua Portuguesa.

terça-feira, janeiro 17, 2006

No meu tempo havia uma coisa muito bonita chamada Sedução!


Sim, queremos gajos que nos encostem à parede da Procuradoria Geral da República e que nos digam: “Tens pinta, miúda!”!! Queremos Don Juans e Alejandros que tenham garra, que tenham tomates pra nos engatar à antiga, com respeito, à bruta, mas com feeling. Com arte! Não gosto da palavra “tesão” mas é essa a ideia. Sejam homens! Sejam os homens! Encostem-me ao balcão da cozinha enquanto corto cebolas pró vosso jantar. Digam o que querem!! Convidem, convençam, insinuem, ensinem, atirem-se a nós e atirem-nos ao ar como patinadores no gelo e dançarinos de salão, cresçam pra nós e cresçam connosco! Ganhem pontos!
Tenho as tranças à janela e cheira-me que me vou fartar e vestir as calças… depois queixem-se que estamos independentes, cheias de garra, que somos melhores na faculdade, que somos melhores em casa, que temos mais pra dar, que vos dominamos na cama. Pudera…

Pff… Meninas!



Mocca Chocca

segunda-feira, janeiro 16, 2006

É que um rabo quer dizer...



epah eu acho que fui um gajo de mamas (apreciador de mamas, para ninguém se lembrar de fazer uma piadinha irritante do tipo: "ahahah este gajo tinha mamas"... é que era estupido... ) até não sei bem quando. sei que hoje sou um gajo de rabos... quer dizer... uma boa bunda dita mesmo assim de boca cheia. mas não gosto dum rabo de preta... não é racismo pah... é que sei lá... é demasiado national geographic. é que sei lá pah... imagino logo a gaja a segurar num pilão a fazer farinha de mandioca ou lá a porra... não tem de ser branca mas sei lá... talvez até á cor da Mónica, ou um pouco mais... mas mais que isso não consigo... epah mas não é mesmo racismo, porque eu até tenho um amigo que se chama ruben e é cabo-verdiano e ele é fixe pah... apenas os rabos muito pretos me fazem lembrar tribos e gosto mais de rabos que me fazem lembrar apenas rabos. aliás gosto daquela curvatura, tipo aquelas gajas que se sentam no lugar da frente do bus mas deixam o rabo lá atrás... quase um rabo autónomo tão a ver?!... sei lá quase podes fazer vida com o rabo dela... aliás eu acho que gostava de mamas porque sempre gostei de rabos... porque dá até para fazer amor com o rabo enquanto ela está a ver... aliás, acho que até pode não lhe apetecer e ela adormecer e eu agarro-me apenas ao rabo... aliás nunca me zanguei com o rabo de nenhuma... sempre foi pacato e prestavel... sei lá um rabo é quase como um filho... só que a diferença é que no caso de ser rabo, quanto mais bem se porta, mais chapadas leva. ah e penugem de pêssego é que não... pêssego só se for em calda (não tentem procurar uma metáfora porca nisto porque não existe mesmo... apenas quero dizer que gosto de um rabo sedoso e arredondado como uma metade de um pêssego em calda)... bem isto de falar sobre rabos dava quase uma odisseia mas fico-me por aqui... é que há tanta gente a falar de tanta coisa sem interesse... e fála-se tão pouco sobre rabos pah!... porque isto de rabos quer dizer...

um aroma mais ... !











E aí, tem lugá prá mim aqui?? …


Tarefa difícil, esta … escrever uma primeira vez sobre o meu primeiro NADA no nosso primeiro blog, após tantas e tão inspiradas intervenções.

É difícil ser-se intenso entre tanta intensidade! Despejar conceitos, ansiedades, medos, falsas certezas ilusórias, entre outras que tais pelo simples prazer de o fazer não é tão fácil assim, alberto … vindo destes membros é arte! Arte que se pouco ou nada conhecida pela massa, muito ou em TUDO reconhecida por 7 fragrâncias que de tão diferentes serem, tão mais iguais se tornam…

(foda-se qu’esta saiu-me b’éda bem!!!!)

É difícil sobretudo falar do que não se fala, por defeito ou feitio, superficialidade ou timidez, medo ou frieza, vazio ou excesso de conteúdo. Mas aqui permito-me tudo: PINTAR como os pintores, adorar-me como os narcisos, sentir como os emotivos, CONTESTAR como os obstinados, intrigar como os dissidentes, arriscar como os protegidos e fazer de mim tenha isso a fragrância que tiver.

(ai ai ai, que post tão idiota…)

Escrevi demais e não disse NADA! Já estou a ouvir os meus filhos chamarem o padre de papá, passei as dez linhas e começo a sentir uma enorme vontade de citar o Lobo Antunes … acho que fico por aqui,
mas

e então, há lugar para mim aqui??
Espero que sim…espero que sempre!

A Gente Vai Continuar …?, perguntas tu!
Sei que SIM…sei que sempre!

sábado, janeiro 14, 2006

A gente vai continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou, ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar

Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém, não
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
E a liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo

Enquanto houver estrada para andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada para andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar...

Jorge Palma

...............................................................................

Como já vai longe a altura em que eu pensava saber escrever, dou o meu primeiro contributo ao Nariz Azul com um poema que eu gosto, com franqueza!
Gosto dele pela simplicidade e porque me transmite uma esperança não capciosa (vão ver ao dicionário)!

Eu e a Prates no nosso piquenique romântico de hoje, ao lado dos 20 mil camaradas apoiantes de Jerónimo e à espera do José, jogámos alguma conversa fora...

Nessa mesma conversa chegámos à conclusão que, apesar de andarmos sempre a dizer mal uns dos outros pelas costas (segundo consta), “o nosso grupo é fixe”!
Os LOLIPOP resultaram mesmo! … E de um grupo de pessoas tão diferentes…

Já discutimos este assunto algumas vezes mas é caso para perguntar…

A Gente Vai Continuar …?

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Um pouco de tudo


Ler ao som de Seu Jorge – Manía de Peitão
(passagem obrigatória no emule)


Tens me feito perceber que sou uma criatura de manias.
“Tens a mania, tu.”
Mas quando dizes isso soa a elogio!

Tenho a mania que sou engraçada, que conduzo bem e que percebo de bola.
Tenho a mania dos chocolates e dos cigarros.
Tenho a mania que sou diferente das raparigas. “Ai vocês mulheres…”
Tenho a mania que tenho de explicar tudo e falar de tudo. São mesmo manias…
Tenho a mania de falar. Demais!
E não gosto que me acendam os cigarros, não fumo à frente de adultos, nem fumo ganzas sem a Filipa. Fumar é uma mania que cria manias.
Dos amigos. Tenho a mania da Filipa. E algumas que ganhei dela, da minha amora.
Tenho a mania dos provérbios, das piadas parvas, das histórias e das expressões engraçadas.
Das limpezas! E dos cheiros. De te cheirar.
Durmo de mais. Bebo demais. Saio demais. Ou tenho a mania.
E tinha a mania que não gostava de vinho tinto.
E sou parva, antipática (sou mesmo e odeio ser, mas quando és tu a dizer é bom de ouvir).
Odeio que me chamem “linda”, mas dessa ainda não sabes.
Tenho a mania das mensagens de boa noite.
Tenho a mania de te chamar baby… e tu tens a mania de responder.
Tenho muitas. Tenho a mania.



Mocca Chocca

(Afinal qual é a mania das mulheres que mais vos irrita?)

"mas aconteceu alguma coisa? - por enquanto ainda nao"




ok, eu bebi um ou dois copos hoje com a nossa malta no bairro, mas daí a estar a ter ideias malucas, acho que nao.

pois é malta, cheguei hoje a casa (depois de comprar o dn e o publico de ontem, o que nao deixa de ser estupido!) e o pedretti lembrou-me que eu tinha que passear a lua. pois, ja lhe devia uns passeios sim... "vamos à rua lua?" 8º andar e a descer... abro a porta do elevador, dps a do predio e estamos cá fora. descemos a rampa do predio e... mais ou menos 10 policias a correr na minha direcçao. "mil perdoes, nao sabia que era proibido passear o cao com mais de 0,5 de alcool no sangue!", pensei eu... mas acho que caçadeiras era armamento a mais para combater um cão e eu. passou o pelotão por mim, e vindo um retardatario na minha direcção perguntei-lhe: "entao, aconteceu alguma coisa?" ao que o sr policia respondeu "por enquanto ainda nao"... ok, alguma coisa estranha está a acontecer. a populaçao da tapada do mocho tem uma média de 80 anos de idade, e até agora nao consta que algum deles seja terrorista. continuo a minha volta com a lua, agora com o coraçao acelerado e com o olhar atento a qualquer canto escuro. nada... nao vejo nada! de volta ao meu predio, encontro mais um policia e pergunto o que é que se passa, "assaltaram alguma coisa?", nao nao, "nao chegou a acontecer".

hummm, a partir de agora os passeios com a lua terão muito mais graça...!

ps.: já é a segunda vez em 2 anos que me apontam uma arma aquando dum passeio com a canina. da outra vez foi um velho, a perguntar se eu andava a rondar o prédio. "nao senhor" respondi eu, mas assim é muito mais divertido passear o cao!

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Na paragem de autocarro


Desculpe, tem horas que me diga? ao qual me responde um individuo de meia idade, certamente vestido e de penteado bem definido, bom, mas o senhor está louco, ou está a gozar comigo? Já é a terceira vez que me pergunta isso em menos de 42 segundos!

é que o tempo está sempre a passar…nunca se apercebeu disso?

…passados escassos bocados de tempo

Desculpe, já agora, sabe-me dizer que autocarro devo apanhar? o homem já visivelmente incomodado, pergunta nervosamente, hmmm…para onde deseja ir? olhe, para ser franco, não faço a mínima ideia…não me pode aconselhar um bom? Um bom?! O que é que quer dizer com isso?
Sei lá, já viu a quantidade de carreiras que passam nesta paragem…

Logo um conjunto de vozes se levantou: uma senhora idosa, de luto e com ar tristonho…olhe jovem, apanhe o 25, é um autocarro com uma carreira modesta mas muito respeitável…não, não faça isso, gritou um gordo, mal-humorado, apanhe antes o 13, é a carreira mais rápida para chegar a qualquer sitio que desejar…ai não...murmurou uma mulher nova de filho debruçado no colo…se fosse a si, ia antes no 90, é o percurso mais longo mas mais bonito, tem belas vistas sobre a cidade…

O painel electrónico informa-me que o 90, o autocarro que acabei por escolher, estará dentro de momentos a chegar à minha paragem…espero e espero! Finalmente aproxima-se, mas como que atingido por um raio mudo de ideias e arranco da paragem…
vou de Metro!

vou-me embora pra pasárgada



depois de ver tudo o que já se escreveu aqui desde que o blog começou, até sinto alguma pressão em manter o nível. ainda bem! gosto do que está a ser feito aqui... e também quero participar.
gostei do tango. uma mistura de palavras soltas com frases e pensamentos rápidos sobre a manhã de alberto: parecia qualquer coisa como um zapping de tv.
gostei do cozido. gostei de ver que o nosso amigo consegue escrever sobre tudo e nada ao mesmo tempo e mesmo assim ainda consegue encher um blog... é bom!
gostei da manicure. é verdade sim... existem muitas mãos esquerdas por ai, a borrar o talento alheio. eu até sou canhoto, de maneira que a minha mão esquerda, as vezes, até tem mais talento que a direita. e também conheço algumas mãos esquerdas, que as vezes borram, e borram e voltam a borrar, justificando o erro na falta de uso. para mim é disso mesmo que se trata aqui... falta de uso. entao é dar férias às mãos direitas e deixar as mãos esquerdas trabalhar, até chegar o dia em que, por apanhar demais, por borrar e ser castigado, a mão esquerda vai por-se na sua própria consciência e vai tentar melhorar as suas pinturas. há também os casos da mão esquerda estúpida... essa é cortar e deitar fora! quanto a considerar-me "destro" ou "canhoto", acho que depende dos olhos que me vêm... pra alguns posso ser a mão direita, pra outros a mão esquerda. depende da estrada em que nos encontrámos
e que tal um post meu mesmo... não? já era hora, sim sr.
tenho andado meio atarefado com programas de rádio e polícias em angola... vou fazer um mix e criar o "programa de policia nas radios de angola!" nah, não dá certo, com este sotaque de luso-brasi-ango-transmontano, mais a enorme aptência que tenho pra me enervar e enrolar a lingua... que grande animador seria eu! acho que a minha comunicação de massas (e que massas!) vai ficar-se por um blog ou outro...
o post era isso? "esse garoto tem talento ou ta lentinho?!"
olha a pressão a chegar... as linhas correm e não sai um tiro certo. a situação é incontornável, pelo menos por hoje. a solução é apelar, recorrer ao curto conhecimento interessante que me resta e dar-vos a panaceia deste mundo, através um pequeno poema:


Pneumotórax

Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico:
- Diga trinta e três.
- Trinta e três... trinta e três... trinta e três...
- Respire...
- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.

Manuel Bandeira

terça-feira, janeiro 10, 2006

Um pouco de verniz na madeira

Ando a pensar nisto há uns dias. E isso é o mais estúpido.

Deixei de roer as unhas, só para provar que conseguia deixar de fazer alguma coisa que faço/fazia mal feita. Não estão más. Mas não estão tão boas como eu penso que estão… e mostro a toda a gente como se ninguém tivesse unhas. Sim, és especial Mónica. Bullshit. Admite, eras melhor a roê-las do que és a cuidar delas. Raios partam a minha tendência natural p'rá asneira!

Mergulhar sempre o pincel no verniz antes de cada unha, tirar o excesso só de um lado, pintar com o outro, RÁPIDO QUE SECA, espalhar, espalhar, DEVAGAR QUE BORRA, borrou, RÁPIDO QUE SECA, tirar o excesso do dedo, sujar o dedo. Ok. 5 dedos da mão esquerda pintados. Nada mal.

Agora a direita. (E é aqui que quero chegar. Não propriamente à mão direita mas a esta questão.)

No meu caso, que sou destra (e que tenho uma mão esquerda morta, morrida, matada) quando toca a pintar as unhas da mão direita com a mão esquerda, sou pior que o Beto a dominar a bola no meio campo.

Mergulhar sempre o pincel no verniz antes de cada unha! Não te esqueças! Não acerto na merda do frasco. Não consigo tirar o excesso de um lado nem pintar com o outro, RÁPIDO QUE SECA, espalhar, borrou, PORRA, espalhar, estragou, AIII! DEVAGAR QUE BORRA, a acetona pra tirar isto?, borrou, RÁPIDO QUE SECA, tirar o excesso do dedo, sujar o dedo, o chão, o nariz não fica azul, fica sangue-de-boi

É a maior injustiça!

Se a direita até nem pinta mal, porque raio tem de ficar sempre mal pintada?

E o que me lixa com F é que isto acontece assim, tal e qual, com as pessoas. As com jeito para serem boas pessoas são sempre borradas pelas personalidades esquerdas.

E sem qualquer conotação política grito: Merda p’rá esquerda!

E para todas as pessoas direitas que conheço e que me pintam tão bem: Resist & Shine!



Beijos*
Mocca Chocca, a rapariga fútil do blog.






Perguntas ao ar:
  1. Conhecem mais pessoas tipo “mão direita” ou tipo “mão esquerda”?
  2. Consideram-se mãos direitas ou esquerdas?
  3. O que vai acontecer? As direitas fazem birra e deixam de pintar bem as mãos esquerdas? Ou as esquerdas apercebem-se que estão a dar de menos a quem lher dá demais, e esforçam-se para darem o mesmo?
  4. A equidade, a justiça divina, nesta questão é uma utopia?



Ps - colegas, estou a ver-vos brilhar. E gosto. Gosto, gosto!

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Cozido à Portuguesa


Bom aptece-me escrever qualquer merda "num tiro" (expressão que coloco entre-aspas por pertencer ao josé). já agora, não voltarei a postar (que merda de palavra) nada do A. L. A. pois três membros do blog já me censuraram: são eles o José Pereira, o Artur Monteiro e o Duarte Tornesi. ao que parece aquilo era muito extenso e "ai que é muito grande", "ai que as pessoas não leêm","ai que encolhe lá isso", etc , etc , etc... bom já que fui calado (todos os grandes revolucionários e visionários sempre o foram por abutres sedentos de poder, mulheres, tripas e mausoléus)... epah peço desculpa pelo interregno (de que vocês não deram conta) mas é que a minha mãe ligou-me a dizer que devido à greve vai chegar atrasada (parece que o pessoal da Soflusa quer fazer menos e ganhar mais... eles que aprendam é a atracar a puta do barco para eu não ter de levar todos os dias com uma gorda em cima que insiste em se levantar sempre antes da hora, ainda que caia todos os dias... as gajas boas essas são sempre as ultimas a sairem não me permitindo sequer dar uma olhadela instintiva para os seus rabos apertados pelos jeans enquanto penso: "isto agora é que me dava um jeitaço!" (mais uma expressão do josé) , mas então tive de ir buscar o pão ao Sr. Feliciano e comprar também um kilo de tangerinas. a D. Guida deixou-me sair sem pagar dizendo: "a mãezinha logo paga", o que me fez pensar: "ok que a sra. me conhece desde puto mas tendo eu 24 anos já deixava de utilizar diminutivos comigo!"... mas pronto, lá fui, até porque a minha mãe gosta sempre de lá ir jogar conversa fora... aliás dava uma ótima Relações Públicas a minha mãe, tal é a forma como a mulher consegue criar simpatia com as pessoas... o que é um pouco chato sobretudo quando as namoradas passam a ser "ex" mas continuam a não querer ser "ex" da minha mãe. o mais esperto é o meu irmão mais novo que nunca as apresenta! também coitado, nunca arranjou nenhuma que ela gostásse! aqui só para vocês, as namoradas dele que eu conheci também eram todas umas cabras, portanto a baixinha até acertava. epá eu nem era para falar disto, era para escrever algo relacionado com a maratona que é para mim comer um cozido à portuguesa... eina mas agora não tenho pachorra e não posso escrever muito mais que os meus amigos sedentos de poder me vêm amordaçar. epah... secalhar devia arranjar trabalho para de tarde, ou estudar aquelas coisas que se aprendem em Comunicação Social... mas epah logo eu que abomino toda e qualquer actividade relacionada com a recolha, transformação e transmissão de dados e cuja maior ambição é que não me xateiem a cabeça... aliás, tudo o que é jornalistaZINHO deveria sofrer vários golpes de bisturi e ser posteriormente mergulhado numa travessa de sal grosso... epah isto era para ser sobre o cozido à portuguesa.

domingo, janeiro 08, 2006

Rimas ao som do tango


Hmmm...Fragrância...isto rima

EXTRAVAGÂNCIA...
"mais uma manhã perdida..."

ELEGÂNCIA (ou muito pouca)...está absolutamente fora de questão!

GANÂNCIA
"Que roupa deverei levar?"

IGNORÂNCIA...vejo que não compreendeu o que nos move!

mas a minha preferida é sem dúvida...
Inoperância!...ou

INVEJA...não rima, mas também dá


sexta-feira, janeiro 06, 2006

Só há um domingo por semana


O meu segundo post e, mais uma vez, vou ceder o lugar ao meu "new favorite author", António Lobo Antunes... que posso eu dizer? no lugar de mandar aqui umas caralhadas volto realmente a preferir partilhar mais um texto que me voltou a deixar estupidificado, tal é a forma como consegue colocar em palavras, articuladas em frases e parágrafos, sentimentos, sensações, questões, medos e ideias que, falando por mim (mas não crendo que não fale por todos), tantas vezes já senti, sem nunca conseguir explicar... e ás tantas dou por mim a ler e a sentir-me irrequieto, como se me apetece-se gritar "Yes!" ou "Eureka!" ou abrir uma garrafa de champagne... porque estas palavras estão vivas e falam a verdade... a realidade nua, crua, pura, dura... e por isso mesmo perfeita! vivam este domingo...
"Teoria e prática dos domingos"
Porque são os domingos tão compridos Filomena? Não tenho de estar às nove na Companhia, não tens de estar no infantário às oito e meia, levantamo-nos mais tarde, tomamos o pequeno almoço no café, compramos os jornais, alugamos dois filmes no clube de vídeo
(um policial como eu gosto, um romântico como tu preferes)
ninguém dá ordens, ninguém nos exige nada, ninguém nos aborrece, e no entanto porque são os domingos tão compridos Filomena, porque motivo é sempre a mesma hora no relógio, porque razão me apetece tanto qualquer coisa que nem sei o que é em vez de ficar contigo? eu gosto de ti, palavra, devia sentir-me bem e não sinto, não é mal-estar, não é angústia, é uma sensação vaga, um desconforto, uma inquietação que não entendo e todavia não me concebo sozinho, não me concebo sem ti, gosto da tua cara, do teu corpo, casei contigo por amor, porque são os domingos tão compridos Filomena?
Não tem que ver com o bairro, o bairro agrada-me, não tem que ver com o apartamento, três assoalhadas chegam e sobejam e ainda temos a marquise, a vista, Queluz, o rio, os barcos, se nos apetecer vamos a Sintra ou a Cascais, ao cinema às Amoreiras, vamos olhar as lojas, vamos ao Cacém jogar às cartas com o teu irmão e a mulher, o teu irmão espojado no sofá, de barba por fazer, de mão no queixo, aborrecidíssimo, a mudar de canal e a comer pipocas de um balde de cartão e a mulher na cozinha a enxotar os filhos e a passar camisas a ferro. Para eles os domingos também serão compridos Filomena? Tu enfias-te na cozinha a conversar, eu aceito pipocas e folheio os retratos do cruzeiro que fizeram em agosto a Tangêr
(pessoas sorridentes a jantarem de copo de vinho no ar, um baile a bordo, o teu irmão com um chapéu esquisito na cabeça de braço dado com um árabe de bigode)
o teu irmão para mim, a apontar as fotografias e a mudar para o desporto
- Chateei-me como um urso Alfredo
tu na cozinha
- Dá aqui um pulo amor
para me mostrares o microondas novo, me mostrares um aparelho eléctrico de moer não sei quê
- Em Novembro com o subsídio de Natal comprávamos um assim amor.
o teu irmão lá de dentro, com a boca atulhada de pipocas
- Estão a dar o ténis Alfredo
o apartamento deles é metade do nosso, uma cave, diante de uma churrascaria, com os frangos no espeto a entrarem, pingando molho, pela janela da sala, os frangos que parecem senhoras gordas nuas de joelhos no peito e eu a pensar no comprimento dos domingos Filomena, primeiro que passe das quatro horas da tarde é uma eternidade, é um martírio e não entendo porquê dado que gosto de ti, nem sequer sou infeliz, não sou infeliz, palavra, é uma coisa estranha, um aperto, uma aflição incómoda, não percebo o que quero mas percebo que não é isto que quero, este túnel de horas, esta poltrona óptima durante a semana e desconfortável ao domingo onde não consigo sentar-me, onde não encontro posição. E às sete para casa dos teus pais em Massamá, a tua mãe aborrecidíssima a mudar de canal e a comer pipocas, a cadela quase cega a ladrar-me aos tornozelos, o teu pai, tremendo de entusiasmo por cima da bengala que lhe serve de coluna vertebral desde que lhe deu o ataque, o teu pai de avental, radiante.
- Fui eu que fiz a sopinha fui eu que fiz a sopinha.
Às dez da noite, de Massamá a Queluz é um instante. Há sempre lugar para arrumar o carro na esquina logo a seguir ao talho, as árvores recomeçam a ficar bonitas com a segunda-feira a aproximar-se, os ponteiros do relógio principiam a girar, a ideia de voltar, a ideia de voltar para a Companhia que me há-de deprimir a partir de terça-feira entusiasma-me, a sala tornou-se de repente gira, os vasos de flores, os bambus, o quadro da preta com a criança às costas, torno a ter vontade de te dar a mão, de te beijar, talvez que te faça a surpresa de comprar o aparelho de moer para os teus anos. A lavar os dentes, de pijama, com os pés descalços encolhidos por causa do frio dos azulejos, oiço-te da cama
- Alfredo
e esqueço-me dos domingos, do comprimento dos domingos, do desconforto, da inquietação, do incómodo, deito-me ao teu lado o mais depressa que consigo com a escova dos dentes na boca, o Júlio Iglesias toca baixinho no rádio do despertador, compreendo com muito mais força que te amo, compreendo que te amo para sempre e que pode ser que consigamos sobreviver às pipocas do Cacém, à sopinha de Massamá e aos relógios imóveis, consigamos sobreviver às lojas das Amoreiras e aos cruzeiros a Tânger. Afinal de contas só há um domingo por semana não é, o que é preciso é meter na ideia que só há um domingo por semana, só há um domingo por semana Filomena, a miséria de um domingo de nada por semana. Gosto da tua camisa de dormir de rendas, gosto daquilo a que cheira o teu pescoço, gosto das tuas pernas a enrolarem-se nas minhas. O microondas da tua cunhada não é assim tão caro
- Uma pechincha amor
um insignificante domingo por semana e seis enormes dias inteirinhos para ser feliz.


António Lobo Antunes
"Algumas Crónicas"

quinta-feira, janeiro 05, 2006

Se contas a alguém rebento-te. Não tem importância, gosto de ti à mesma.



Bom... o meu primeiro post não vai ser meu, mas gostava de ter sido eu o autor e não resisto a partilha-lo com vocês... não tenho muito mais a dizer, espero apenas que disfrutem dele como eu disfrutei.
"Edgar, Meu Amor"
Por favor Edgar não me deixes assim, o que se passa entre nós, porque não telefonáste? Eu aqui à espera feita parva, nem ao cabeleireiro fui com medo que ligasses, fumei oito Mores seguidos, tenho a cabeça tonta de cigarros, já perguntei ás Avarias se havia algum problema com o meu número e não há... já tentei entreter-me a pintar as unhas dos pés e borrei tudo, até nos calcanhares pus verniz, até na alcatifa, até no braço da cadeira, não foste ao emprego, não foste ao café, não foste ao clube, o que aconteceu Edgar? não é justo, não parece teu, não me deixes assim, dou voltas à cabeça a ver se percebo e não entendo, ainda ontem aqui vieste jantar, ainda ontem me gabáste o ensopado de enguias, ainda ontem ,no sofá, lembras-te?
- Gosto de ti fofinha
ainda ontem, no sofá, coisa e tal, eu no princípio do licor e tu a puxares-me os collants
- Sua má sua mazona
e eu a mostrar-te o cálice
- Olha que isto deixa nódoas na almofada Edgar a almofada é nova
tu de joelhos, tu despenteado, de gravata torta, tu tal e coisa
Quias nódoas quais caraças ajuda-me que o fecho do soutien encravou e nem para trás nem para a frente ajuda-me senão chamo o serralheiro
e claro que não tinha encravado, Edgar, é uma questão de jeito, é uma questão de calma, e tu a olhares para mim e a desapertares o cinto, tu atrapalhado nos atacadores
- Aguenta Deolinda que daqui a um segundo estou aí
eu aguentei, tu estavas aqui a magoares-me a perna com o cotovelo, eu
- Levanta o braço amor que me aleijaste
da janela via-se o Laranjeiro quase todo que o meu apartamento é em cima, o Laranjeiro, a Cova da Piedade, Almada, mais seis meses e tenho as duas assoalhadas pagas, eu a pensar que podíamos, se tu quisesses, morar os dois, arranjar um cão e ser felizes, e nisto tu quieto, tu embaraçadíssimo a olhares para baixo
- Devo andar cansado Deolinda deve ter sido do serão no escritório
tu sem ímpeto nenhum, tu sem vontade, eu a ajudar-te e tu, envergonhado, tu de calças pelos tornozelos num fiozinho de voz
- Deve ter sido do serão no escritório não me mexas paramos meia hora e fico fino
parámos meia hora, assistimos áquele programa onde as pessoas vão pedir desculpa á família e depois abraçam-se e choram e a audiência aplaude a chorar também, e mesmo a senhora que faz o programa, tão simpática, tão boazinha, se comove como se comove o Laranjeiro em peso, eu a beijar-te.
- Já descansáste Edgar?
tu zangado comigo, tu que não ficaste fino nem meia
- Cala-te
numa voz tão diferente da tua, amor, nem fofinha, nem mazona, nem bichaneca
- Cala-te
e eu a fazer-te uma festa, cheia de paixão, preocupada com o teu cansaço
- Edgar
e tu sempre de calças pelos tornozelos a desviares-te para o outro canto do sofá
- Deslarga-me
e eu que te adoro, a pôr-te a mão na coxa, e tu como se a minha mão queimasse
- Deslarga-me poça deslarga-me
vestiste-te num instantinho, puseste o casaco, avisaste da porta
- Se contas a alguém o que me sucedeu rebento-te
eu a compor-me estarrecida, eu a tropeçar atrás de ti
- Não me deixes sozinha não te vás embora Edgar
tu a desceres a rua para a camioneta, tu curvado como se carregasses o mundo inteiro nos ombros, eu da marquise
- Edgar
e nem sequer te voltaste, nem sequer adeus, nem sequer um sorriso, nem sequer um telefonema, queria dizer-te "Não te apoquentes", queria dizer-te "Não tem importância, gosto de ti à mesma, hoje tentamos outra vez, eu não conto a ninguém Edgar, juro que não conto a ninguém, não vão troçar-te no emprego, não vão troçar-te no café", podíamos morar os dois no Laranjeiro ainda que ficasses cansado para sempre, eu não me importo, comprávamos um cãozinho, íamos aos domingos ao Ginjal, isto no Laranjeiro é calmo, vê-se a Cova da Piedade, vê-se Almada, tenho a cabeça à roda de tantos cigarros, já perguntei às avarias se há problemas com o meu número e não há. fiz ensopado de enguias, comprei sorvete no supermercado e o soutien que trago hoje tem rendas pretas e abre-se à frente Edgar, vai ser canja para ti tirar-mo.
António Lobo Antunes
"Algumas Crónicas"

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Um pouco de rosa no azul


Cô licençaaa! ‘cha passar fáchavor!

Ela vem aí e vem perdida de pressa para não ser mulher de padre nenhum! Xissa! Religiões já tenho que bastem e padres não dão bons maridos de certeza! Sai prá lá! Saravá meu pai!!

O ano? Sim. Foi assim, sim, assim-assim. Foi bom, sim. Bom p’ro ego, não se nota?

Ego egoísta este meu. Deixem-me usar e abusar:

Chocolate quente para a
alma, bombons de simpatia, a energia do café, cacau, “O cacaueiro é uma planta estimulante, tropical”…

… Como dividimos?

Isto não é Óbidos, meus amigos. Isto é a realidade cheia de confettis e balões. “Festa é festa”, dizes tu. Concordo.

Tudo muito bonito! E as dores de barriga que isto dá? Ah pois é bebé! Ninguém mandou abusar. Eu enjoo, aviso já.

"É saber falar de si mesmo.

É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Porque fica sempre bem começar com Fernando Pessoa.
Porque foi ela que mo recitou ao ouvido.
Porque sim.

Gosto disto, colegas-amigos. Gosto, gosto!

Boa Vida. Bom Ano. Bom Dia.

*Bjus

Mocca Chocca Latta